sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

2016 #2

Encerra em duas semanas aquilo que talvez tenha sido o melhor ano da minha vida. Ficou meio sem sentido essa expressão, ainda mais quando consideramos meus 20 anos, mas acho ter tempo suficiente para definir o que foi bom e o que não foi e apesar dos problemas, dos desesperos, eu nunca vivi um ano tão bom quanto 2016 (talvez seja bondade minha, ou romantização demasiada, mas de veras, me sinto bem com esse ano).

Levei pau na faculdade, arranjei o primeiro emprego da minha vida fora da borracharia do meu pai, tive umas desilusões bem pertinentes, tive cinco cartões de crédito, conheci o Rio de Janeiro, fui a praça da Liberdade 5 rolês seguidos, um dos meus melhores amigos não fala mais comigo, escrevi bastante, li bastante, conheci gente nova, re-conheci gente velha, sequei lágrimas de outros e chorei bastante, ganhei um quarto novo, abri minha casa para visitas, revisitei minhas zonas de conforto, aprendi palavras novas, larguei o celular, voltei pro celular, dormi fora de casa, tomei cerveja com gente bonita, me apaixonei, me apaixono, conheci Youtubers legais, melhorei minha relação com a família, fumei cigarro de palha, diminui meu consumo de álcool, comprei coisas no Mercado Livre, fui na Bienal do Livro, aprendi a amar de outras maneiras, tive de acalmar. Tive um bom ano.

Um ano feliz.

Um ano intenso.

Dormi tarde inteiras, e chorava de arrependimento. Aprendi a me perdoar.

Esperava visitas que até agora não chegaram. Aprendi a perdoar.

Abandonei pessoas em eventos. Aprendi a pedir perdão.

Tirei notas baixas. Entendi a frustração do fracasso escolar.

Fui a favor do aborto. Fui contra o aborto. E hoje não opino mais: nem útero eu tenho.

Não fui ao show da Sandy. Fui ao da Clarice Falcão e ficava olhando as letras das músicas no celular. Fui ao cinema várias vezes e descobri que quanto mais barato o cinema, mais filmes eu podia ver, e que quanto melhor a companhia, menos eu via os filmes.

Virei noites falando demais com quem importava, e aprendi a dormir as sete e levantar as nove.

Aprendi o que significa meiota. Fiz faxina de noite e depois baguncei tudo de manhã.

Em 2016 fui feliz, sim. Bastante feliz.

Guardo em mim nessa noite fria da primavera (sim, fria noite da primavera) a gratidão pelos abraços recebidos. O orgulho de ter visto tanta gente amadurecer quase que diariamente. A alegria de ver pessoas se livrar de amarras invisíveis. A tristeza de ter perdido um primo. O respeito pela dor dos outros.

2016 me ensinou que não sou bom em muita coisa, e me ensinou que há sim o caminho pela busca em ser bom em algo, e eu quero ele para mim. Me ensinou que não há verdade absoluta, e eu que me inclinei favorável as discussões ateístas, desprendi de mim e senti um fervor atípico na oração de confraternização na escola que eu trabalhava. Aprendi o que é a inveja e descobri que eu posso invejar alguém, e que ser invejoso é pior do que ser invejado. Entendi a metáfora dos homens que se cruzam, trocam pães e seguem o caminho cada um com um pão, enquanto os que se cruzam, trocam ideias, e seguem cada um com duas ideias, e tive de me calar.

É real: tenho mais a aprender do que a ensinar.

Entendi do que são feitos os bons professores e não sei se um dia serei um. Aprendi a olhar com cuidado o trabalho dos outros. Comprei menos roupa que em 2015. Gastei muito dinheiro à toa. Mas amei.

Encerrarei 2016 com a sensação de ter feito a coisa certa. Se me for privado o direito de viver 2017, estarei por mim satisfeito pelo que fiz até agora, mas quero mais, quero alçar voos maiores, quero mais abraços, mais oportunidades de aproveitar o que sei. Quero mais sonhos, mais companheiros inseparáveis, mais oportunidades para demonstrar que amo. Quero dias de cachorro louco. Dias de calmaria. Dias de inutilidade. Dias fazendo coxinha com o meu povo. Dias estudando para provas.

Tive um bom ano. Descobri coisas boas. Vi Dilma ser deposta e entendi que nem todo mundo vai ser honesto o tempo todo. Trump foi eleito e eu pedi que não me dessem mais notícias ruins. Fidel morreu e eu fiquei dividido: ele ferrou ou salvou Cuba? Defendi a esquerda, reavaliei a pauta da direita, fui para o centro, quase filiei a Rede e depois chutei o pau da barraca. Vi Lady Gaga voltar e entendi que ela não era a mesma de cinco anos atrás, e Deus me livre ser o mesmo Daniel de cinco anos atrás.

Foram dias bons. Foram noites bem dormidas. Foram boas as noites mal dormidas.

Que 2017 traga paz, alegria, prosperidade e luz.


Eu só quero ser feliz, feliz.

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