quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

21

Quando eu parei hoje para pensar, eu já tenho quase 21 anos. Sempre vejo as pessoas repensando seus estilos de vida próximo aos 30, quando já se é adulto deverás. Mas não sei. Eu bem que tento ir, sem rumo, tento ser um pássaro que voa sem pensar nas consequências, mas tenho medo de perder, e eu que não tenho quase nada ainda, perder agora seria tornar ao ponto abaixo de zero.

Aos 21 anos muita gente já tinha feito coisa demais. Adele já tinha lançado um álbum, ganhado 2 grammys, e já era Adele. Newton aos 20 anos já tinha formulado o teorema do binômio de Newton. Lorde aos 17 já fazia todo mundo cantar Royals mundo a fora. E o que eu fiz nesses quase 21 anos? O que me reservará os 22? ... 99 anos?

 Às vezes eu me perco pensando na minha teoria pessoal de constantes inconstantes. É simples: existe algo que é constante em minha vida, por exemplo um objeto. E esse algo constante tem significado inconstantes, variáveis, e de certa forma esses significados apesar de inconstantes, são constantes em presença. Os meus sentidos são constantes inconstantes. E eu sei que sinto, que amo, que penso, e depois já sinto amando, pensando sentindo, amando pensando, e logo me perco nos dias, e depois acordo, e o tempo passou e eu não vi, ou finjo que não vejo.

Li hoje que Saturno leva 28 anos para voltar para o ponto em que ele estava quando você nasceu, e que isso pode estar ligado à nossa maturidade e não sei se me apego ou não a isso. Engraçado eu ser tão menino aos quase 21. Minha mãe aos 21 estava grávida, tinha uma filha, era casada e já tinha decidido o que tinha de decidir, ou apenas obedeceu às imposições dos dias. Aos 21 meu pai já tinha rodado meio mundo e talvez já pensasse no retorno. Eu queria tanto voltar, mas eu ainda nem fui.

Os 21 chegará e eu não sou mais o mesmo de um ano atrás. Eu não vou fazer barulho e devo comemorar agora só o aniversário de 25. Quando se é criança, de um ano para o outro se cresce 10 centímetros, a voz engrossa, quando se é adolescente seu corpo muda, e você fica ali, meio monstro, tentando equilibrar com o conhecido e o novo, e os 12 anos tem sentidos próprios, os 14 tem a temida sétima série, aos 15 você já pode pegar o ônibus sozinho, aos 16 os bancos deixam você abrir uma conta com assinatura dos seus pais, aos 18 você tem maioridade, e aos 20 você tem boletos de banco, medos, sobrepeso, responsabilidade. De um ano para o outro, olhando sua altura, seu rosto, seu acumulo de dias, talvez não mudou nada, ou muito pouco, mas só nós sabemos o peso dos nossos dias.

Farei 21 anos no primeiro dia do inverno. E ainda não temos nem um mês de verão. Mas é que aqui dentro não está tudo coerente como deveria. Ainda verei janeiro e o seu tempo bipolar, pularei carnaval, cantarei Aguas de Março quando as águas de março caírem, verei as piadinhas sem graça do 1° de abril, vou me deliciar com a bela visão das arvores nuas no outono, comprarei presentes de aniversário e do dia das mães, até chegar os 21 anos. Talvez eu não seja tão vago assim. Talvez tudo tenha um lado bom. Talvez eu fique rico e conheça Cancun. Talvez.

É.


Talvez.

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