Eu só quero sentar e
chorar em paz. Poder gritar intensamente para tentar expressar a angustia que
me consome, sem ter de pensar em porque estou assim, nem ter que me explicar.
Eu quero estar em minha angustia sem ter que enfrentar crises de identidade, questionando-me
se é certo ou errado estar desse modo. Eu quero ser eu mesmo e ser amado, mesmo
em estilhaços ou jogado ao chão.
Quero não me sentir
inferior em razão dos meus sentimentos. Meu desafio hoje é me aceitar. Quero me
amar do meu modo singular, estando deitado numa cama ou bueiro. Me amar sem
querer mudar. Parafraseando Paulo Coelho, “não existe nem vitória nem derrota
no ciclo da natureza: existe movimento”. E esse movimento é de fato a vida.
Quero entender isso. Entender que esse movimento acontece, naturalmente, e por
mais que eu sinta os mais indesejáveis sentimentos, eles fazem parte de mim. Preciso
aprender que os tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz. Esse é o
meu desafio. Quero aceitar meu choro desesperado que vem para retratar a dor
desesperadora, que é natural, espontânea, por si existe, para si existe, como o
sorriso, ou até mais que ele. E o sorriso que tem sido uma máscara de uso
recorrente, presente no mundo que precisa definir o superior e inferior,
precisa ser verdadeiro, como o choro. Meu sorriso tem que exprimir a alegria, e
não esconder a angustia.
Me desafio a oscilar
por todas as sensações, caminhos, cores, formas e temperamentos possíveis,
sendo grato por haver diversidade em minh’ alma. Tudo que eu preciso de fato é
parar de pensar sobre onde e como estou. Está na hora de transitar livremente e
aproveitar esse momento. Mas, como ainda meu coração pode se preocupar com padrões?
Porque ainda me envergonho de chorar num canto, mesmo sabendo que isso é tão
normal como o sorriso no meio da multidão?
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